Divisão da Polícia Civil recupera R$ 15 milhões do crime organizado

Departamento é o primeiro criado especialmente para desmantelar organizações criminosas minando seu poder econômico

Até o início de julho de 2019, já haviam sido recuperados, via leilão de bens ilicitamente adquiridos, cerca de R$ 1, 6 milhão.

O Departamento Geral de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DGCOR-LD) foi criado pelo governo do Estado do Rio de Janeiro no início de 2019 para combater o poder financeiro das organizações criminosas. Vinculado à Secretaria de Estado de Polícia Civil, sua prioridade é apreender os recursos de traficantes de drogas e milícias. Em seis meses de atuação, o grupo abriu 60 investigações contra 5.472 pessoas físicas e jurídicas que apresentaram movimentações financeiras envolvendo R$ 151 bilhões e recuperou R$ 15 milhões, virando o jogo na segurança pública no estado do Rio.

Somente nos três primeiros meses de trabalho, a unidade apreendeu R$ 5 milhões em bens (como imóveis, carros e joias) de alguma forma ligados ao crime organizado, à milícia e à lavagem de dinheiro, além de cerca de R$ 125 mil em espécie. O total sequestrado representou um aumento de 392,43% no comparativo com o primeiro trimestre de 2018.

Os bens apreendidos são leiloados e o valor apurado é incorporado ao caixa do Estado para ser usado no combate ao crime. Até o início de julho de 2019, já haviam sido recuperados, via leilão de bens ilicitamente adquiridos, cerca de R$ 1, 6 milhão.

Segundo relatório da delegada responsável pelo DGCOR-LD, Patrícia Costa Araujo de Alemany, o número de casos da unidade cresceu 192%, e 152% em valores financeiros analisados – ambos em comparação com o mesmo período de 2018. O documento também mostra aumento de 748% no total de pessoas físicas e jurídicas investigadas pelo departamento.

Estrutura

Em julho de 2019, o DGCOR-LD contava em seus quadros com dez delegados e 70 agentes, compartilhando interesse e especialização em áreas como economia, contabilidade, matemática e informática.  Os policiais estão distribuídos em quatro unidades:

  • Núcleo de Investigação ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro;
  • Núcleo de Investigação à Corrupção e Lavagem de Dinheiro;
  • Laboratórios de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro;
  • Gabinete de Recuperação de Ativos.

Frentes de atuação

O DGCOR-LD atua em três frentes:

  • Análise de Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) produzidos pela Unidade de Inteligência Financeira (UIF), ligada ao Banco Central;
  • Verificação e investigação de movimentações bancárias suspeitas;
  • Análises fiscais de pessoas e empresas investigadas.

O trabalho da unidade, porém, não depende apenas de seus agentes. A parceria com outros órgãos, como Controladoria Geral do Estado (CGE), secretarias de Saúde, Obras e Educação, além do apoio do Tribunal de Contas do Estado e o Ministério Público, é essencial.